Do UOL, em São Paulo
A Força Aérea dos Estados Unidos informou nesta quarta-feira (29) que pretende agir rapidamente para refazer a licitação por aviões e garantir que o orçamento para compra não expire no final de 2013.
Ontem, a Força Aérea norte-americana informou ter cancelado um contrato de US$ 355 milhões (cerca de R$ 604 milhões) para fornecimento de 20 aviões Super Tucano, da fabricante brasileira Embraer (EMBR3), citando problemas com a documentação.
A Força Aérea disse ontem que vai investigar e refazer a licitação, que também está sendo contestada na Justiça dos EUA pela norte-americana Hawker Beechcraft. O contrato havia sido concedido pela Força Aérea dos EUA para a Embraer e a parceira Sierra Nevada Corp.
"Apesar de buscarmos a perfeição, nós as vezes não atingimos nosso objetivo, e quando fazemos isso temos que adotar medidas de correção", disse o secretário da Força Aérea, Michael Donley, em comunicado. "Uma vez que a compra ainda está em litígio, eu somente posso dizer que o principal executivo de aquisições da Força Aérea, David Van Buren, não está satisfeito com a qualidade da documentação que definiu o vencedor."
O comandante da área de materiais da Força Aérea dos Estados Unidos, Donald Hoffman, ordenou uma investigação sobre a situação, afirmou o porta-voz da Força Aérea.
O Super Tucano A-29 foi desenvolvido para missões de contra-insurgência e atualmente é usado por cinco forças aéreas, e ainda existem outras encomendas, segundo a Embraer.
Embraer disse lamentar rompimento de contrato
"A Embraer lamenta o anúncio de hoje da Força Aérea americana de deixar de lado o contrato firmado, relacionado com o programa de apoio aéreo do Afeganistão", disse a empresa em comunicado.
"Junto à sua parceira americana, Sierra Nevada Corporation, a Embraer participou do processo de seleção entregando no prazo e sem exceções toda a documentação requerida", completou.
A Embraer disse que a "decisão a favor dos Super Tucano (...) foi uma escolha pelo melhor produto com um desempenho provado e todas as capacidades para cumprir com as demandas dos clientes".
A empresa brasileira afirmou que continua comprometida "em oferecer a melhor solução para a Força Aérea americana e espera mais esclarecimentos sobre o tema para decidir futuros passos, em consulta com seu sócio, a SNC".
Entenda o impasse
No fim do ano passado, a Força Aérea dos Estados Unidos definiu que a Sierra Nevada e a Embraer tinham ganhado o contrato para venda de 20 aviões Super Tucano A-29, assim como treinamento e suporte. De acordo com a licitação, as aeronaves da Embraer seriam fornecidas em parceria com a norte-americana Sierra Nevada Corporation (SNC) e seriam utilizadas para treinamento avançado em voo, reconhecimento e operações de apoio aéreo no Afeganistão.
Entretanto, a licitação foi paralisada em janeiro, quando a Hawker Beechcraft entrou na Justiça questionando a decisão.
Na época, a Força Aérea norte-americana disse que a seleção tinha sido justa e transparente.
"A concorrência e a avaliação de seleção foram justas, abertas e transparentes. A Força Aérea está confiante nos méritos de sua decisão de concessão do contrato e espera que o litígio seja rapidamente resolvido", divulgou, na época, em nota John Dorrian, porta-voz da Força Aérea norte-americana.
Presidente da Embraer estava confiante
Em entrevista em meados de janeiro, o presidente da Embraer Defesa e Segurança, Luiz Carlos Aguiar, disse estar confiante de que a suspensão do negócio seria resolvida rapidamente.
De acordo com o executivo, a vitória da Embraer nesta concorrência era "inequívoca" e não existiam dúvidas de que o contrato seria retomado.
"O sistema jurídico americano é absolutamente inquestionável e notoriamente eficiente e rápido nas suas decisões. Nós acreditamos piamente que isso vai ocorrer... a nossa aeronave foi desenhada... para a missão que eles estão necessitando agora. E eles estão necessitando com uma certa urgência.
O executivo disse ainda que existe expectativa de que a empresa abra novos mercados dentro mesmo dos EUA para aviões da mesma categoria.
Expectativa era abrir mercado em outros países
Segundo Aguiar, a venda à força aérea mais poderosa do mundo poderia abrir espaço para negócios com outros países, como os da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
"Quando você vende para o principal mercado do mundo, o cliente mais exigente do planeta, que produz tecnologia e vende para o mundo inteiro, é sempre uma vitrine", disse Aguiar.
"Nossa expectativa é de longo prazo e servir esse contrato e conseguir outros contratos até mesmo nos próprios Estados Unidos", disse Aguiar, afirmando que existem "pelo menos uns três projetos nessa categoria".
Para Aguiar, uma eventual venda dos Super-Tucanos para os países da Otan era um "caminho natural". "A comunalidade é cada vez mais importante nas forças de defesa e operações combinadas, porque você reduz o custo da operação absurdamente", explicou.
(Com informações da Reuters)
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