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Alitalia pode pedir concordata após trabalhadores rejeitarem projeto de resgate da empresa


O futuro da Alitalia pode ter ido por água abaixo após a votação da sua força de trabalho rejeitar, em votação, o plano de negócios para o período 2017-2022, aprovado pelo Conselho de Administração da empresa no mês passado.

O projeto, que planejava resgatar a empresa da crise em que se encontra, necessitava uma aprovação dos trabalhadores da Alitalia, e previa 980 demissões e um corte de 8% nos salários de pilotos e tripulantes da aérea, possibilitando um pacote de recapitalização de dois bilhões de euros, a redução em um bilhão de euros em gastos e um aumento de receitas de 30% até 2019.

Dos 11,4 mil funcionários da empresa, porém, 67% votaram contra a proposta, que acabou rechaçada.

A companhia italiana corre agora o risco de entrar em uma espécie de Administração Extraordinária: se for o caso, o Ministério do Desenvolvimento Econômico do país nomearia um administrador temporário, que seria responsável por criar um plano de reestruturação em 180 dias, e assim protegeria a empresa dos credores, dando um período de tempo para a aérea tentar se reorganizar financeiramente, em um processo semelhante à concordata e ao Chapter 11 norte-americano.

Se mesmo nesse caso uma solução não for encontrada, ou o governo não aprovar o plano elaborado pelo administrador, a Alitalia entraria em processo de falência.

ACIONISTAS LAMENTAM

Os acionistas da companhia, sendo o maior deles a aérea Etihad Airways, que entrou na Alitalia em 2014, devem se encontrar nesta quinta (27) em uma assembléia para discutir as opções de ação a partir de agora.

O Conselho da empresa italiana soltou uma breve declaração a respeito da votação, afirmando que “tomou nota com pesar da decisão da força de trabalho de não aprovar o pré-acordo assinado em 14 de abril entre a companhia e os sindicatos”. Ainda segundo o comunicado, “a aprovação do acordo teria desbloqueado dois bilhões e euros de recapitalização, incluindo mais de 900 milhões de euros de novas finanças. Dada a impossibilidade de proceder com o plano, o conselho decidiu começar a preparar os procedimentos previstos pela lei e convocou uma assembleia de acionistas em 27 de abril para deliberar sua implementação”.

A empresa do Oriente Médio, porém, não aceitou de bom grado o resultado da votação dos funcionários da aérea italiana. Em comunicado, o presidente da Etihad, James Hogan, soltou duras palavras de desapontamento: “Lamentamos profundamente o resultado da votação dos trabalhadores da Alitalia, o que significa que todas as partes perderão: os funcionários da empresa, seus clientes e seus acionistas, e, finalmente, também a própria Itália, para quem a Alitalia é uma embaixadora em todo o mundo”, declarou Hogan.

E o presidente da aérea de Abu Dhabi não parou por aí: "Os acionistas da Alitalia, incluindo a Etihad Airways, forneceram grandes quantidades de apoio financeiro e comercial nos últimos três anos. Em conjunto com os acionistas italianos, a Etihad reafirmou o seu forte empenho e vontade de apoiar a companhia aérea com um pacote de cerca de dois bilhões de euros no total para ajudar a financiar o novo plano de negócios quinquenal da Alitalia”, disse, se referindo ao plano aprovado pelo Conselho, que funcionaria entre 2017 e 2021. Declarou, por fim, apoio a decisão do Conselho de reunir os acionistas da aérea para decidir algum plano de ação.


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Sobre Alexandre Marques

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