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Tumultos causados por passageiros indisciplinados em voos crescem


No final de 2016, um avião da American Airlines teve que fazer um pouso imprevisto em Brasília por causa de uma briga de casal na classe executiva da aeronave. O avião saiu de São Paulo e seguia para Nova Iorque quando o problema ocorreu.

Os outros passageiros foram encaminhados para hotéis até que a viagem pudesse ser retomada. A chegada ao destino, por isso, teve que ser adiada.

Situações assim – em que a indisciplina ou a conduta agressiva de passageiros prejudica a tranquilidade do voo – estão crescendo, diz a Iata (Associação Internacional de Transporte Aéreo, na sigla em inglês) no seu relatório de 2016.

Segundo o documento, mais de 38 mil incidentes foram reportados por companhias aéreas de todo mundo à entidade, entre 2007 e 2014.

O relatório ainda destaca que esses eventos atrapalham outros passageiros, podem afetar as operações aéreas, ameaçar a tripulação, afetar a segurança e aumentar os custos da companhia.

No Brasil, as empresas aéreas capacitam as tripulações das aeronaves e as equipes que atuam em solo para identificar passageiros cujo comportamento sinaliza o risco de transtornos durante o voo e para adotar procedimentos caso a indisciplina prejudique a tranquilidade da viagem.

"Um passageiro inconveniente fere o princípio da segurança patrimonial. Mas isso pode acabar causando danos também à segurança operacional.

Por isso as empresas se preparam desde o check-in até o voo", diz o consultor da Diretoria de Segurança e Operações de Voos da Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas), comandante Paulo Roberto Alonso.

Ele esclarece que, no momento do check-in, se houver sinais de que a pessoa consumiu álcool em excesso, drogas ou medicamentos que a deixem alterada, pode ser realizada uma entrevista e, se necessário, solicita-se que aguarde para viajar em outro voo. "Geralmente uma boa conversa já é o suficiente", diz o consultor da Abear.

O mesmo ocorre no momento em que os passageiros passam pelo portão de embarque e até que as portas do avião sejam fechadas.

"Busca-se sempre evitar o passageiro inconveniente ainda em terra. Antes de o voo iniciar, você pode identificar essa pessoa e tentar desmotivá-la a prosseguir naquele voo.

Se necessário, informar o comandante e ele decide se é possível conseguir uma conciliação com aquele passageiro ou não. Se não for possível, a autoridade policial é chamada", explica Paulo Roberto Alonso.

Ainda de acordo com o comandante, o consumo de álcool é um dos exemplos de fatores que potencialmente podem gerar incômodos.

"O passageiro às vezes não conhece o efeito de álcool nas altitudes. O efeito de um copo de cerveja ao nível do solo é um.

Já no voo, a 40 mil pés, com o oxigênio mais rarefeito, ele é multiplicado. Aquela pessoa que faria pouca coisa em solo, no ar pode se tornar até violenta."

Se o risco não foi identificado em solo e alguém causar tumultos com o avião no ar, também há procedimentos a serem adotados.

Uma conversa da tripulação para buscar a conciliação ou uma fala mais enfática do comandante são atitudes que geralmente bastam. Até a intervenção de passageiros incomodados, por vezes, é suficiente para acalmar os ânimos.

Se a situação não for controlada com essas medidas, pode, então, ser realizado um pouso imprevisto e solicitado apoio dos agentes de segurança locais – como ocorreu após a briga do casal no avião que ia para Nova Iorque e ficou em Brasília.

"Quando se parte para uma solução dessas, é um custo grande, financeiro e também para a imagem da empresa", ressalta Paulo Roberto Alonso.

Em último caso, quem está causando o tumulto pode até ser imobilizado pela tripulação por meio de algemas feitas em material plástico, que não causam ferimentos. Mas o comandante Alonso lembra que a integridade da pessoa deve sempre ser preservada.

O Protocolo de Montreal, firmado durante a Conferência da Icao (Organização Internacional da Aviação Civil, na sigla em inglês) em 2014, dá aos países ferramentas legais para lidar com esses passageiros.

Mas, para que possa ser adotado pelos signatários, deve ser ratificado por 22 países. Até agora, dois o ratificaram: Gabão e República do Congo.

O relatório da Iata diz que 29 nações já manifestaram intenção de ratificá-lo. Segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo, uma abordagem com todos os atores envolvidos, incluindo companhias aéreas, aeroportos, bares e restaurantes pode auxiliar na prevenção a incidentes antes e depois dos voos.

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Sobre Alexandre Marques

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