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Embraer KC-390 em fase final de certificação


O jato de transporte militar KC-390 brasileiro, produzido pela Embraer, já está em fase final de certificação. O programa tem um custo estimado de R$ 4,6 bilhões para o desenvolvimento e a construção dos dois protótipos iniciais e é realizado em conjunto com a Força Aérea Brasileira (FAB). A FAB prevê a aquisição de 28 aeronaves e a previsão é de que a primeira seja entregue em 2018.

Os dois protótipos desenvolvidos pela Embraer já estão com a campanha de certificação avançada. Segundo Paulo Gastão Silva, diretor do programa KC-390, desde o início dos testes em voo, em 26 de outubro de 2015, os protótipos do KC-390 já contabilizaram mais de 800 horas de voo até meados de janeiro de 2017. A declaração da capacidade operacional inicial do KC-390 está prevista para o final deste ano, com a certificação da capacidade operacional final em 2018.

Para Gastão, o KC-390 está confirmando, nos testes, o desempenho e as capacidades previstas por meio do uso de avançadas ferramentas de engenharia. “Já foram realizados testes de extensão das mangueiras de reabastecimento aéreo, em condições de alta e baixa velocidade, lançamento de cargas e paraquedistas utilizando as portas laterais e a rampa traseira, em um esforço conjunto com a FAB e o Exército Brasileiro. O programa já cobriu o envelope de voo completo da aeronave, atingindo velocidade de cruzeiro de Mach 0,80 e teto operacional de 36.000 pés”, contou o executivo da Embraer.

O atual estágio de testes em voo, de acordo com Gastão, é dedicado a confirmar as configurações aerodinâmicas externas e a certificação de sistemas da aeronave. O cronograma para os próximos meses inclui: certificação dos sistemas de combustível, hidráulico e freios; avaliação inicial com gelo simulado; campanha de pouso em condições de ventos cruzados; e avaliações do acoplamento do sistema de reabastecimento em voo com a aeronave na configuração de reabastecedor.

Novos padrões de desempenho

“O KC-390 foi desenvolvido para estabelecer novos padrões de desempenho e capacidade na sua categoria, apresentando ao mesmo tempo o menor custo do ciclo de vida do mercado. É mais veloz e transporta mais carga do que outras aeronaves dessa categoria”, explicou Gastão. A aeronave é capaz de transportar até 26 toneladas métricas de carga a uma velocidade de 470 nós (870 km/h), com capacidade de operar, inclusive, em pistas não pavimentadas ou danificadas.

Gastão destacou ainda o sistema de aviônica integrado de controle de voo fly-by-wire, que reduz a carga de trabalho dos pilotos e aumenta a eficiência da missão, além do sistema de manuseio de cargas da aeronave, que permite reconfigurá-la rapidamente. “Diferentes tipos de cargas podem ser transportados, como pallets, veículos, helicópteros, tropas (até 80 soldados equipados), paraquedistas (até 66 paraquedistas equipados, que podem saltar tanto de portas laterais como da rampa de carga), macas para evacuação aeromédica (até 82 macas padrão OTAN) ou configurações mistas”, afirmou.
Para o executivo, além das vantagens técnicas, o projeto agrega valor à indústria aeronáutica brasileira. “O KC-390 permite criar plataformas de exportação que contribuem positivamente para a balança comercial brasileira, além de criar empregos no Brasil, de capacitar a cadeia produtiva nacional e de desenvolver novas tecnologias para a indústria.”

Alguns países já declararam interesse em adquirir a nova aeronave. “Há uma demanda global crescente de aviões desta categoria e o KC-390 chama a atenção do mercado”, declarou Gastão.

A Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate é a organização da Aeronáutica responsável pela condução das questões relativas ao desenvolvimento da aeronave. O governo brasileiro, por meio da Força Aérea, é detentor da propriedade intelectual do KC-390. Segundo o gerente adjunto do Projeto KC-390, Tenente-Coronel Engenheiro Aeronáutico Marcelo Hiroshi Kono, uma equipe multidisciplinar da FAB acompanha as etapas do projeto junto à Embraer.

Pilotos e mecânicos da FAB, além de paraquedistas, militares do Quadro de Infantaria e aeronavegantes de outras especialidades também participaram do projeto, enviando sugestões à equipe de desenvolvimento. Em todas as missões realizadas pela aviação de transporte da FAB, havia profissionais que observavam os trabalhos, buscando alternativas que pudessem melhorar a funcionalidade da aeronave. “O nível de detalhamento chegou a envolver preocupações, como o lado que cada porta deveria abrir e a localização ideal de uma alavanca”, contou o Ten Cel Kono.

Missões

Na FAB, o KC-390 irá realizar missões de transporte aéreo logístico, reabastecimento em voo, busca e salvamento e combate a incêndios florestais. Segundo o Ten Cel Kono, o KC-390 tem capacidade de reabastecer, em voo, um amplo leque de aeronaves da FAB, de caças a helicópteros H-36, inclusive o próprio KC-390.

“A possibilidade de reabastecer aeronaves de combate significa atuar como um multiplicador da autonomia, o que assegura a realização de missões de longa distância ou, ainda, de patrulhas aéreas de combate com várias horas de duração. Além disso, uma frota de KC-390 tem uma importância significativa em um conflito para o transporte de tropas e lançamento de paraquedistas ou de cargas em zonas de conflito”, ressaltou o gerente adjunto do projeto.

O Ten Cel Kono destacou ainda a capacidade de a aeronave pousar em pistas de pequenas dimensões, mesmo sem asfalto, permitindo levar o esforço logístico mais próximo à linha de frente. “O KC-390 voa mais rápido, mais longe e leva mais carga do que outras aeronaves, além de possuir eletrônica no estado da arte e ser um projeto novo, com ampla margem para aperfeiçoamentos. O compartimento de carga, também, tem grandes dimensões”, enfatizou.

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Sobre Alexandre Marques

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