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Boeing traça rota para retomar a liderança na América Latina


A fabricante americana de aviões Boeing quer retomar de sua rival mais direta, a europeia Airbus, a posição de líder em frota na América Latina, diz Donna Hrinak, principal executiva da companhia para a região, depois de ter cedido mais de 40% de "market share" em três décadas.

"Durante muitos anos fomos líderes e talvez tenhamos confiado nessa posição. Nossa concorrente foi bastante agressiva [em condições de preços]. Temos agora um plano para reagir, fortalecer nossa presença e reassumir a posição protagonista", disse ao Valor Donna Hrinak.

O Brasil responde por 40% da demanda de aeronaves comerciais na América Latina, região que deve comprar cerca de 3 mil novos aviões nas próximas duas décadas, gerando US$ 300 bilhões em compras.

O problema é que a americana Boeing, que chegou a deter mais de 85% da frota na região até os anos 1990, cedeu mercado à Airbus. Atualmente, das 1.284 aeronaves com mais de 130 lugares - segmento disputado pelas duas rivais - em operação na região, 641 aviões são Airbus, ante 643 da Boeing.

Mas o placar deve virar a favor da fabricante francesa nos próximos anos. Isso porque a Airbus tem 427 aviões já encomendados e que ainda não foram entregues, enquanto a lista de aeronaves já vendidas e a serem entregues pela Boeing soma menos: 218 pedidos. No ranking de encomendas, a Airbus tem 66% de market share, ante 34% da Boeing.

Dona Hrinak afirma que a Boeing tem potencial para recuperar os céus latino americanos porque as principais clientes devem retomar compras, impulsionadas pela recuperação das economias na Argentina e no Brasil. "O acordo que assinamos com a Aerolineas Argentinas é um sinal dessa retomada", disse a executiva, referindo-se ao acordo fechado em outubro.

A Aerolineas havia comprado nove aviões 737-800 em 2013, mas interrompeu os pedidos na terceira entrega quando mergulhou na crise financeira junto com o governo da ex-presidente Cristina Kirchner. Faltavam seis aeronaves, que agora começaram a ser entregues novamente, após reestruturação da companhia já sob comendo do presidente Mauricio Macri.

"A Gol também vai começar a receber o [737-8] Max", disse a presidente da Boeing para América Latina, referindo-se à maior aérea doméstica brasileira, que tem encomendas de 69 aviões.

Em 2016, a Gol protelou o recebimento de algumas aeronaves. A companhia reduziu a frota de 140 para 122 aviões, para adequar a oferta à menor demanda, que acumula 19 meses seguidos de retração. "A aviação é negócio de longo prazo, passa por ciclos, então, a demanda voltará", disse Donna, que já acertou com a Gol a retomada das entregas no segundo semestre deste ano.

Ela disse que a Boeing pode ainda ampliar vendas para a Aeromexico - que tem encomendados 63 aeronaves -, e para a panamenha Copa, para a qual vai entregar 64 modelos 737. "Também temos possibilidades com Latam e Avianca ", afirmou Donna Hrinak, sobre duas companhias que utilizam frotas mistas, de Boeing e Airbus.

A Latam tem nove Boeing 787 para receber. Mas o grupo, resultado da fusão entre a chilena LAN e a brasileira TAM, também tem 74 aviões Airbus que comprou.

E a Avianca tem encomenda para 63 aviões com Airbus. E outra concorrente brasileira, a Azul, soma mais 35 unidades com a fabricante europeia.

Donna Hrinak aponta que a baixa taxa de penetração da aviação no Brasil, de 0,5 viagem por habitante - metade da taxa chilena, por exemplo -, é sinal de que há demanda reprimida por aeronaves no Brasil. Por isso, a executiva vê espaço para crescer com uma onda de mais empresas aéreas low-cost, começando pelos mercados argentino, colombiano e chileno, mas também chegando ao Brasil.

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Sobre Alexandre Marques

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