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Embraer Super Tucano melhorou bastante a formação dos pilotos de caça da FAB


Há mais de trinta anos, quando a Embraer apresentou o Tucano, revolucionou completamente o conceito de treinamento de pilotos militares, alcançando imediato sucesso internacional, com 637 exemplares produzidos. Em 1986, diante da possibilidade de participar da concorrência dos Estados Unidos, onde a Força Aérea e a Marinha dos EUA conjuntamente pretendiam adquirir um treinador único para o programa Sistema Conjunto de Aeronave de Treinamento Primário (JPATS - Joint Primary Aircraft Training System), que previa a aquisição de 711 exemplares, a Embraer desenvolveu uma nova versão do avião Tucano, cujo projeto foi baseado no T-27G1, o Short Tucano da Força Aérea do Reino Unido.

A primeira ideia de modificar o Tucano para uma aeronave de combate e de contra-insurgência surgiu dentro da Embraer ainda no final da década de 1980, fazendo uma atualização do motor usando o PWC PT6A-67R com 1.420shp, que dobrava a potência da aeronave. Na sequência, para equilibrar o peso e a potência adicionados pelo novo motor, a Embraer alongou a fuselagem em 1,37 metros com um trecho de 0,37 m na frente da cabina do piloto e um plugue de 1 m à popa. Esta aeronave de prova de conceito foi construída em uma plataforma modificada que incluiu mudanças estruturais quando comparado ao

Tucano original e evoluiu para se tornar o EMB-312H. O H simbolizava a missão pretendida da aeronave: caçar helicópteros.

O EMB-312H voou pela primeira vez em 9 de setembro de 1991, no mesmo momento em que se lançava nos EUA o programa JPATS. A Embraer juntou-se à Northrop Grumman em 1993 para oferecer o EMB-312H com 80 por cento de conteúdo fabricado nos Estados Unidos, mas perdeu o negócio um ano depois para o Beechcraft T-6A Texan II, derivado do Pilatus PC-9. Esta derrota seria rapidamente superada, já que em 1995, a Força Aérea Brasileira (FAB) estava se preparando para lançar o projeto SIVAM –Sistema de Vigilância da Amazônia– e seu braço operativo, o SIPAM –Sistema de Proteção da Amazônia. À medida que o conceito foi se desenvolvendo, surgiu a necessidade de um avião de ataque leve para combater os contrabandistas e narcotraficantes e “fechar” o espaço aéreo na fronteira, e a FAB lançou um programa de aquisição para 99 aeronaves de ataque leve (AL-X). O EMB-312H foi o ponto de partida para o desenvolvimento de uma aeronave completamente nova usando um motor turboélice P&WC PT6A-68C de 1,600SHP. Nascia o EMB-314, cuja designação na FAB passou a ser A-29 Super Tucano, realizando seu primeiro voo em 28 de junho de 1999.

Desde que o Super Tucano substituiu o jato AT-26 Xavante na formação dos pilotos de caça da Força Aérea Brasileira, uma série de novas tecnologias foram introduzidas, melhorando o treinamento e preparando os novos pilotos de combate para operar com mais facilidade avançadas aeronaves e gerenciando sistemas complexos necessários ao êxito da missão. “A aeronave é usada no Brasil principalmente para a formação de pilotos de caça e cumpre muito bem essa tarefa pois permite ao piloto executar vários tipos de missão, graças ao seu avançado sistema de armas, sendo também capaz de executar complexas missões de combate ar-solo (ataque) e lançar armamento de precisão com um baixo custo operacional”, disse o Coronel Aviador da reserva João Alexandro Vilela, que foi piloto de testes do programa AL-X da FAB, que originou o A-29 Super Tucano. “O Super Tucano foi desenvolvido com uma aviônica avançada, digna de aviões de quarta geração, estando na vanguarda entre as aeronaves da sua categoria”, ressaltou.

Esses modernos sistemas embarcados na aeronave A-29 Super Tucano trouxeram um ganho operacional para o Curso de Especialização Operacional da Aviação de Caça, realizado no 2º Esquadrão do 5º Grupo de Aviação, na Ala 10, uma unidade da FAB sediada em Natal, no estado do Rio Grande do Norte, no nordeste do Brasil. O Brigadeiro-do-Ar Pedro Luis Farsic, comandante da Ala 10 descreveu os ganhos operacionais proporcionados pela substituição do AT-26 Xavante pelo A-29:
  • Simulador de voo: sua qualidade trouxe um ganho muito grande na familiarização do piloto com os sistemas da aeronave. Além disso, ele proporciona uma economia de horas de voo, pois muitas missões podem ser treinadas primeiramente no simulador e isso permite reduzir a quantidade de voos para determinadas fases;
  • Sistema de crítica-vídeo: com as estações de debriefing e crítica-vídeo, a qualidade da instrução melhorou consideravelmente. Após a missão, o aluno pode rever todo o seu voo e, juntamente com o instrutor, analisar os principais aspectos a serem aprimorados. Além disso, a avaliação das missões de emprego e de combate aéreo ficou muito mais criteriosa, pois é possível validar os resultados e analisar cada detalhe do passe do piloto. No AT-26, não havia um sistema de crítica-vídeo e o debriefing da missão dependia exclusivamente da memória do instrutor.
  • Precisão no emprego: O A-29 é uma plataforma de armas muito precisa. Com isso, as missões de navegação por contato e de emprego do armamento aéreo têm uma maior probabilidade de sucesso do que com o AT-26.
  • Sistemas de navegação: os auxílios à navegação do A-29, além de mais confiáveis, são mais atuais. O sistema de navegação inercial com GPS integrado EGIR (Embedded GPS, Inertial and Radar Altimeter) e o GPS autônomo são de fácil operação e aumentam consideravelmente a consciência situacional dos pilotos. As telas coloridas multifuncionais CMFD (Colored Multi-Function Displays) apresentam as rotas selecionadas, as áreas de instrução e quaisquer outras informações relevantes que o piloto tenha inserido no seu planejamento. O piloto automático reduziu bastante a carga de trabalho do piloto e permitiu um conforto maior para as missões de longa duração.
  • Guerra eletrônica: o sistema de Data Link permite um contato inicial do estagiário do curso de caça com uma rede de enlace de dados. Esse treinamento, apesar de básico, serve como uma preparação para o uso do Data-Link nas aeronaves de caça de primeira linha.
Modernização das frotas

Com um envelope de voo de +7G e -3,5G, o Super Tucano possui para proteção dos pilotos uma blindagem protetora de cabine de Kevlar, assento ejetável zero-zero, para-brisa reforçado para impacto contra aves e redundância nos sistemas mais críticos. Para sua navegação e emprego, foi dotado com modernos sistemas aviônicos, que incluem um visor frontal HUD (Head-Up Display), um sistema de mãos sobre o manete e o manche HOTAS (Hands-on Throttle and Stick), um sistema de geração de oxigênio OBOGS (On-Board Oxygen Generation Systems) e uma iluminação compatível com o uso de óculos de visão noturna. Com um moderno painel composto por duas telas de cristal líquido fornecido pela AEL Sistemas, que aumenta a consciência situacional do piloto, o Super Tucano socializou a era do conhecimento dentro da FAB, tornando o piloto um operador de sistemas e trazendo inúmeras novas capacidades e tecnologias embarcadas e de treinamento, que se tornaram referência e ajudaram a FAB a criar os requerimentos para os programas de modernização das frotas de F-5 e A-1.

Sua versão de exportação, que possui uma série de avanços, entre eles um painel com três telas multifuncionais, foi vendida para a Angola, Burkina Fasso, Chile, Colômbia, Equador, Indonésia, Mali, Mauritânia, República Dominicana, sendo também selecionado para o programa Light Air Support, com a finalidade de fornecer aeronaves de contra-insurgência para países aliados dos Estados Unidos. Por exemplo, a Força Aérea dos EUA tem operado a aeronave no 81º Esquadrão de Caça, da Base Aérea de Moody, sendo que parte delas já foi entregue ao Afeganistão onde estão sendo incessantemente empregadas em combate, cumprindo majoritariamente missões de escolta de comboios e apoio aéreo aproximado.

Como suportam uso intensivo, os Super Tucanos são uma boa opção para a Força Aérea Afegã (AAF, por sua sigla em inglês), que realiza operações próximas de suporte aéreo no deserto, sob temperaturas extremas. De acordo com um programa de cooperação custeado pelos EUA, a AAF está programada para receber 20 A-29s até 2018. Além da aeronave, o programa inclui treinamento das tripulações da AAF nos Estados Unidos, tanto para manutenção como para pilotagem. “Tenho de aprender as formas de trabalhar com o sistema do A-29, como ele funciona, de forma que o meu piloto possa voar nele; tenho de me tornar um mecânico profissional e me familiarizar com todas as suas características. É muito importante para nós nos tornarmos profissionais, para podermos servir ao nosso país, nossa terra natal e nosso povo”, disse um capitão da Força Aérea do Afeganistão que participa do programa, que preferiu não divulgar seu nome por questões de segurança. “Agradeço ao governo dos EUA, que está ajudando o governo do Afeganistão a se capacitar para defender alguns pontos geograficamente estratégicos contra os insurgentes que lá estão. Temos a expectativa de que a Força Aérea do Afeganistão se tornará mais bem preparada profissionalmente para defender nosso país do que aqueles que querem destruir nosso país”, disse à Diálogo.

O Super Tucano é uma aeronave de combate genuinamente brasileira, certificada para carregar 150 combinações diferentes de armamentos e sensores, apta a executar uma variada gama de missões, dia e noite, incluindo ataque leve, apoio aéreo aproximado, vigilância, escolta de comboios terrestres e de helicópteros em operações C-SAR, interceptação e interdição aérea, mostrando-se uma plataforma ideal para contra-insurgência. Além disso, o Super Tucano tem se mostrado uma excelente aeronave para formação e instrução avançada de pilotos de caça. Graças aos modernos sensores e sistemas eletrônicos embarcados e às capacidades de treinamento sintético e simulação, é possível a entrega, mais rápida e com muito menor custo de formação, de pilotos mais experientes e capazes para os esquadrões de caça da primeira linha.

Fonte: Diálogo


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Sobre Alexandre Marques

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