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Crise entre países árabes torna voo de Guarulhos para o Qatar mais longo


Seg 12/6/2017 - O conflito diplomático desencadeado no Oriente Médio na segunda-feira (5) deixou mais longas as viagens dos brasileiros para o Qatar, uma importante via de acesso entre o Brasil e a Ásia.

Ao lado dos argentinos, os passageiros do país foram os mais afetados pelo impacto que a Qatar Airways, empresa controlada pela família real do emirado do golfo Pérsico, sofreu após a decisão da Arábia Saudita e seus aliados de romper relações diplomáticas com o Qatar.

Com o pretexto de que o Qatar ajuda a financiar o terrorismo, os países adotaram medidas de represália - como o fechamento de espaços aéreos, acessos terrestres e marítimos, levando a Qatar Airways a alterar suas rotas.

Com 200 aviões e mais de 150 destinos no mundo, a companhia funciona como uma passagem para a Ásia e o Pacífico. A empresa não informa os números exatos de como se distribuem os destinos finais dos brasileiros que usam Doha como escala, mas a maioria viaja a negócios para a China e o Japão. A Tailândia aparece como um importante destino de lazer.

Para voar entre São Paulo, Doha e Buenos Aires, a Qatar Airways já não pode traçar a mesma rota que antes cruzava o espaço aéreo da vizinha Arábia Saudita.

Até a segunda-feira, os voos diretos do aeroporto de Guarulhos até Doha duravam em média 13 horas e meia.

Já na terça-feira (6), o piloto da empresa precisou fazer um desvio, voando mais ao norte até a Turquia e depois descendo pelo Irã, o que prolongou a viagem para mais de 15 horas, segundo informações do site FlightAware, que faz rastreamento de voos.

Outra alternativa, usada no voo de quarta (7), foi uma rota com escala em Atenas. Foi uma parada para abastecimento. Os planos de voo serão estudados caso a caso, de acordo com a companhia.

A ponte dos brasileiros para a Ásia também pode ser feita por outras empresas na Europa ou nos Estados Unidos.

ATRASOS

O prolongamento das rotas para desviar de territórios proibidos eleva os custos da companhia com atrasos, cancelamentos e reagendamentos, além do maior consumo de combustível, horas de tripulação e escalas.

Outro custo adicional é o da alta taxa para cruzar o espaço aéreo do Irã, o que pode elevar o preço de passagens, segundo o jornal "The Washington Post". A Qatar não confirma a informação.

Segundo a empresa, apenas 10% da operação foi afetada e o impacto se concentrou nas 17 cidades dos quatro países do Oriente Médio em que ela foi proibida de voar. Os trajetos que ligam à África também foram alongados. Não houve impacto nos trechos que saem de Doha em direção a Europa, Ásia e Pacífico.

Voos da Qatar Airways para a Europa e a América do Norte já cruzavam o Irã, desde que as rotas mais diretas via Iraque e Síria foram cortadas, por causa dos conflitos nos dois países.

Quando anunciou a suspensão dos voos, a Qatar informou também que os clientes com passagens marcadas teriam alternativas de viagens ou reembolso.

MAIS VOOS

Há sete anos no Brasil, a Qatar considera o país uma operação promissora - hoje, são sete voos semanais entre São Paulo e Doha - e se prepara para abrir quatro frequências por semana para Rio e Santiago em 2018.

No fim do ano passado, a empresa incrementou sua oferta com 99 assentos por voo ao trocar o avião da rota Doha-São Paulo-Buenos Aires por um modelo maior.

Nos primeiros quatro meses deste ano, a companhia transportou 55,2 mil passageiros na rota, uma alta de quase 70% ante 2011, quando iniciava as operações.

Na região, a Qatar Airways tem negócios com a Latam Airlines. Ela fechou, em 2016, acordo para comprar até 10% da companhia por meio da emissão de novas ações.


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Sobre Alexandre Marques

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