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Viracopos perde 1 milhão de usuários com crise, volume de cargas cai 8,9%

  

O Aeroporto Internacional de Viracopos perdeu 1 milhão de passageiros no ano passado e, apesar de ter fechado dezembro com um aumento de 9,6% no número de passageiros em relação a novembro, isso foi insuficiente para reverter os impactos da crise econômica que atingiu o setor de transporte aéreo em 2016. O aeroporto de Campinas fechou o ano com 9.325.256 passageiros transportados, uma queda de 9,68% na comparação com 2015, quando passaram pelo terminal 10.324.658 viajantes. Apesar de o volume de cargas importadas ter caído 17,2%, há boas notícias na exportação, onde o crescimento foi 12,6% no ano.

O presidente da concessionária Aeroportos Brasil Viracopos (ABV), Gustavo Müssnich, disse que a meta deste ano é recuperar os passageiros perdidos, ou seja, captar mais um milhão de viajantes e ampliar a receita com transporte de passageiros em 7,5% e de cargas, entre 8% e 9%. Ele reconhece, no entanto, que a meta é ambiciosa dentro do cenário de crise econômica em que o Brasil vive.
O esforço atual, para compensar a perda de receitas com cargas e passageiros, é ampliar a arrecadação comercial, com implantação de empreendimentos dentro do sítio aeroportuário. Segundo ele, estão ocorrendo negociações na área de hotelaria, de galpões logísticos e também com os Correios, que planeja implantar um centro de distribuição de cargas expressas no terminal desativado e tornar Viracopos em hub internacional de cargas transportadas pela estatal para o Cone Sul. “Já que o aumento de cargas e passageiros depende da economia, estamos trabalhando para explorar mais nossa área comercial.”

A maior retração em relação aos passageiros ocorreu nas viagens internacionais, com uma redução de 28,5% — passaram por Viracopos 646.125 passageiros em 2015 e 462.007 no ano passado, segundo o levantamento da concessionária Aeroporto Brasil Viracopos (ABV). Nas viagens domésticas, a queda foi de 8,42% (9.678.533 passageiros em 2015 e 8.863.245 no ano passado). Em consequência da queda no número de passageiros houve também retração nos pousos e decolagens — 127.395 em 2015 contra 115.276 em 2016, uma retração de 9,51%.

A queda no número de passageiros desacelerou os planos de expansão do aeroporto, cujo crescimento físico está baseado, por contrato de concessão, em gatilhos de volume de passageiros. A construção da segunda pista, por exemplo, poderá ser postergada se o ritmo de movimento de aeronaves se mantiver em queda, como ocorreu em 2015. Pelo contrato, a nova pista tem que ser construída quando a demanda do sistema de pistas atingir 178 mil movimentos anuais. Independente disso, a segunda pista está em fase de licenciamento, e obras realizadas na atual pista ampliaram sua capacidade de 26 voos diários para 31 voos diários, permitindo atender um crescimento de voos.

Desde abril, todos os voos de passageiros estão operando no novo terminal, que tem capacidade para atender 25 milhões de passageiros ao ano. A transferência operacional dos voos nacionais foi planejada e realizada em conjunto com as companhias aéreas Azul, Gol e TAM, além de empresas Esatas (Empresas de Serviços Auxiliares do Transporte Aéreo) e órgãos governamentais.
A crise, no entanto, levou a concessionária a tomar algumas decisões, como parar a construção do Pier B. A decisão foi tomada pela dificuldade de recursos, mas principalmente porque não há demanda para mais uma área de embarque.

Viracopos opera hoje com dois piers, o A, para voos internacionais e o C, para domésticos. O B dividirá operações entre os setores nacional e internacional e estará fora de operação até que o movimento justifique sua entrada em serviço. Assim, Viracopos conta com 14 pontes de embarque de um total de 28 que deveriam funcionar.

A queda nas receitas levou a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), no final de dezembro, a fazer a primeira revisão extraordinária do contrato de concessão de Viracopos, no valor de R$ 209,92 milhões, para recompor o equilíbrio econômico financeiro do contrato, que será realizado, após a anuência do Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil. Com essa revisão, Viracopos pode pagar a outorga, e entrar 2017 sem dívidas relacionadas à concessão.

Volume de cargas caiu 8,9% no ano


O volume de cargas que passou por Viracopos em 2016 soma 166,5 mil toneladas, 8,9% abaixo do transportado em 2015. Pesa nessa queda, a redução nas cargas importadas, que no período sofreu retração de 17,2% — foram 124,4 mil toneladas em 2015 e 103 mil toneladas no ano passado. O volume de carga exportada cresceu 12,2%. A queda nas tonelagens, segundo a concessionária Aeroportos Brasil Viracopos, não representa necessariamente queda de faturamento do Terminal de Cargas (TECa), porque o perfil da carga mudou para produtos que pesam pouco como equipamentos para celulares e tecnologia e produtos farmacêuticos, que possuem menos peso e maior valor. No ano passado, Viracopos anunciou um programa de incentivos, que dá isenção na tarifa de pousos e outras facilidades, para atrair empresas cargueiras e fortalecer o aeroporto de Campinas como hub internacional de cargas.

A proposta é atrair novos voos internacionais e também aumentar as frequências existentes. O incentivo é válido até o final de 2017 e isenta a cargueira que já opera em Viracopos e que ampliar uma frequência, da tarifa de pouso pelos primeiros 12 meses de operação. As novas rotas terão isenção da tarifa de pouso nos primeiros dois anos de operação. Já para novas empresas com operação de, no mínimo, duas frequências semanais regulares, a isenção da tarifa será para os primeiros anos de operação. Os incentivos vão beneficiar novas empresas e as que já operam em Campinas desde que preencham alguns requisitos, informou a concessionária. A exceção é para voos codeshare, resultado de acordo entre diferentes companhias que vendem espaços em um único avião. Nesses casos, somente a empresa que opera o voo tem direito ao incentivo.

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Sobre Alexandre Marques

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