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Brasil questiona subsídios do governo canadense na fabricação dos C-Series da Bombardier


O Brasil questiona os subsídios do governo canadense à fabricação de uma série de aeronaves, produzida pela Bombardier. Nesta quarta-feira, o país apresentou um pedido de consulta no órgão de Solução de Controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC). O governo brasileiro espera um entendimento rápido para que a brasileira Embraer não seja prejudicada em novas concorrências marcadas para este ano.

No ano passado, o avião C-Series da Bombardier ganhou uma licitação da Delta. A cifra é bilionária: uma venda de US$ 5,6 bilhões. Atenta a novos contratos como esse, a Embraer recorreu ao Itamaraty para que questionasse os benefícios estatais.

Em 60 dias, os canadenses devem explicar cada incentivo dado ao avião da linha C-Series. O Brasil alega que há dois tipos de subsídios dados pelo governo canadense à fabricação da aeronave: proibidos (como subsídios à importação e de conteúdo local) e permitidos (mas usados em escalas que não são permitidas).

Serão analisados subsídios dados ao projeto da aeronave ainda na fase de pesquisa, isenção de imposto predial (similar ao IPTU brasileiro) até aumento de capital de US$ 1,5 bilhão para a Bombardier Transportation UK, uma subsidiária da gigante canadense. Ao todo, 30 ações serão analisadas pela OMC e discutidas com o governo do Canadá.

Menos de 24 horas antes do questionamento brasileiro, o governo do primeiro ministro Justin Trudeau anunciou um pacote de US$ 283 milhões para a Bombardier. Nele, há empréstimos sem juros.

— O anúncio de ontem é mais um desse programa. Empréstimo sem juros é um subsídio evidente — avaliou o Subsecretário-Geral de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores, Embaixador Carlos Marcio Bicalho Cozendey, que também criticou o fato de, somente no ano passado, a Bombardier recebeu pelo menos US$ 2,5 bilhões em apoio governamental:

— Hoje, o C-Series é mais um avião do governo canadense do que da Bombardier.

Cozendey diz saber que nem todos os subsídios podem ser retirados porque vários foram dados na fase de pesquisa e já foram incorporados aos preços das aeronaves. No entanto, ele diz que pode haver uma negociação para que a Embraer participe da competição internacional em pé de igualdade.

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Sobre Alexandre Marques

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