Welter Mesquita Vaz. Tecnologia do Blogger.

Equipe da ONU elogia aeronaves da FAB que poderão atuar em missões de paz


Participar de missões humanitárias da Organização das Nações Unidas (ONU) com o emprego de aeronaves militares pode ser uma das novidades da Força Aérea Brasileira (FAB) em 2018. Para atender aos pré-requisitos exigidos, uma comitiva da ONU fez vistorias em três esquadrões aéreos e uma unidade logística da Aeronáutica, localizados em Manaus (AM), Porto Velho (RO) e Rio de Janeiro (RJ) na última semana. O objetivo foi avaliar as condições de emprego dos meios disponibilizados.

As visitas de assessoramento e aconselhamento fazem parte de um sistema da instituição que avalia as condições de emprego dos países voluntários, chamado United Nations Peacekeeping Capability Readiness System (UNPCRS). Ao todo, o sistema possui quatro níveis. O Brasil estava no nível 1 quando colocou à disposição os meios aéreos e se candidatou a participar de operações de paz.

A vistoria in loco e a aprovação podem elevar o País ao nível 3, quando a operacionalidade é aprovada pela ONU dentro de todos os requisitos necessários (nível 2) e se dá início às assinaturas de contratos entre Brasil e ONU (nível 3). A última etapa é a prontidão para o emprego em, no máximo, 90 dias.

Cinco aeronaves da FAB foram colocadas à disposição para atuarem em missões de paz: o cargueiro C-105 Amazonas, dois helicópteros H-60L Black Hawk e dois caças A-29 Super Tucano. Durante a semana, a comitiva esteve em Manaus (AM), conhecendo os esquadrões Arara (1º/9º GAV), que emprega o C-105 Amazonas; Harpia (7º/8º GAV), que utiliza o H-60L Black Hawk; além de Porto Velho (RO), conhecendo o emprego dos caças A-29 Super-Tucano do Grifo (2º/3º GAV).

Embora os esquadrões da Região Norte tenham sido apresentados à comitiva da ONU, todos os esquadrões que possuem o modelo apresentado pela FAB concorrem à oportunidade de participar de uma missão humanitária. Segundo o Tenente-Coronel Cláudio Faria, Comandante do Esquadrão Onça (1º/15º GAV), que também emprega o C-105 Amazonas, pode haver seleção de pilotos e tripulantes de esquadrões diferentes. “O objetivo é somar as habilidades individuais de cada esquadrão em benefício de um grupo maior a ser montado. Por exemplo, no caso dos (helicópteros) Black Hawk, há dois esquadrões em condições semelhantes em que os pilotos e tripulantes podem ser unidos formando um grupo”, explica.

Doze países em situação de conflito fazem parte da lista da ONU, como Chipre, Líbano, República Centro Africana e Congo. No entanto, quatro países tiveram baixa aceitação do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e do MD, por questões logísticas e de risco, como Sudão do Sul e Mali.

Logística e comunicações

Para dar apoio às aeronaves que podem ser empregadas em missões de paz, é indispensável uma infraestrutura básica de suporte logístico e comunicações. Na última sexta-feira (28/04), o Esquadrão Profeta (1º/1º GCC), localizado no Rio de Janeiro (RJ), também foi vistoriado pela comitiva da ONU.

A unidade de apoio de comunicação e estrutura está disponibilizando à ONU barracas operacionais iluminadas e climatizadas, computadores, comunicação via rádio e satélite, geradores de energia, rede elétrica, entre outros. A mesma infraestrutura já foi utilizada em operações e no apoio a vítimas de desastres naturais no País e até no exterior, como na enchente de Mariana (MG) em 2015 e terremoto no Haiti em 2010.

Segundo o Comandante da unidade, Major Daniel Lames, o objetivo é que toda a infraestrutura seja utilizada para ajudar nações amigas. “A nossa expectativa é que consigamos uma inserção num ambiente de emprego real, de modo a prestar o melhor suporte às unidades aéreas”, acrescenta.

Aprovação

Da vistoria até a aprovação final é um processo longo que está sendo acompanhado passo a passo pelo Estado-Maior da Aeronáutica (EMAER). Após a visita e o sinal da verde da ONU, o próximo passo é uma consulta informal da ONU ao Ministério das Relações Exteriores (MRE) sobre o interesse do Brasil em empregar seus meios aéreos em um país específico. A partir daí, são feitas reuniões entre MRE, Ministério Defesa (MD) e FAB e, caso seja de interesse o emprego na missão ofertada, os custos são enviados ao Ministério do Planejamento e ao Congresso Nacional para se verificar a disponibilidade de recursos financeiros. Com a resposta positiva, todo o trâmite se repete dentro de um processo formal e documentado, finalizando na votação da Câmara dos Deputados e Senado Federal.

Segundo Major Dailo Gonçalves de Aquino Júnior, chefe da comitiva da FAB, a impressão deixada pela equipe da ONU dá indícios de que os recursos do Brasil devem ser utilizados para outras nações. “Eles demonstraram satisfação e surpresa com as capacidades apresentadas para emprego em missões de paz. Informalmente, eles afirmaram estar satisfeitos em encontrar aeronaves, equipamentos e serviços em excelente estado de manutenção e uma equipe motivada e treinada para cumprir uma possível missão”, acrescenta.


Compartilhar no Google Plus

Sobre Alexandre Marques

Notícias, radar e escuta ao vivo, matérias e cobertura de eventos aeronáuticos.
    Comentar - Blogger
    Comentar - Facebook

0 comentários:

Postar um comentário