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Congonhas supera 20 milhões de passageiros pela primeira vez


No ano em que completou 80 anos, o aeroporto de Congonhas, na zonal sul de São Paulo, atingiu um marco: pela primeira vez em sua história o terminal paulistano transportou mais de 20 milhões de passageiros em um ano. Foram 20.560.913 pessoas, alta de 7,8% em relação a 2015. Segundo dados divulgados pela ANAC, o aeroporto foi um dos três únicos a crescer em 2016 – além dele, Porto Seguro e Maceió tiveram resultado positivo, num período em que quase todos os terminais aeroportuários viram o movimento minguar, incluindo aí os seis concedidos à iniciativa privada.

Ao chegar a marca de 20,5 milhões de passageiros, Congonhas reassumiu a vice-liderança no ranking brasileiro (veja abaixo), à frente de Brasília, que experimentou uma queda de quase 10% entre 2016 e 2015 – Guarulhos, também em São Paulo, segue na primeira colocação, apesar da redução de 6,2% no movimento.

O recorde de Congonhas só ocorreu porque a ANAC flexibilizou algumas regras que travavam o crescimento do aeroporto desde o acidente com o Airbus A320 da TAM, há quase 10 anos. No ano passado, por exemplo, voos nacionais para certos destinos no Nordeste como Recife, Natal e Fortaleza voltaram a ser permitidos. Novos slots também foram autorizados, aumentando a quantidade de voos que decolaram o aeroporto paulistano. Mas o dado que mais chama a atenção é que os aviões que passaram por Congonhas levaram mais passageiros do que em 2015. Foram 119 passageiros em média contra 112 de dois anos atrás. Parte disso também se explica pelo enxugamento das frequências oferecidas pela companhias aéreas, embora o movimento de aeronaves tenha crescido 1% em 2016.

Acidente da TAM

Congonhas seguia em alta até 2007 quando o acidente com o Airbus A320 da TAM, em julho daquele ano, provocou uma reação do governo federal, que passou a limitar a quantidade de voos operados no aeroporto bem como o peso de decolagem das aeronaves a fim de evitar situações de risco – a pista principal tem menos de 2 km de comprimento e uma das suspeitas na época foi de que a falta de ranhuras nela teria contribuído para o acidente. O jato também transportava 189 pessoas, uma capacidade elevada para os padrões atuais dos voos operados nele.

Se no ano anterior, 16,7 milhões de passageiros utilizaram o aeroporto, em 2007 esse total caiu para 14,3 milhões e seguiu em queda no ano seguinte. De 2010 para cá, aos poucos, Congonhas retomou o crescimento, sobretudo de 2014 até hoje.

Passageiros sumiram

Além de Congonhas, apenas Porto Seguro e Maceió tiveram mais passageiros que em 2015, mas com números modestos. O pequeno terminal da cidade turística do Sul da Bahia ampliou o número de passageiros em 10% enquanto o aeroporto da capital alagoana cresceu 1,5%. Ainda assim, são números para serem comemorados afinal, entre os 25 aeroportos mais movimentados do país houve quedas expressivas.

Manaus foi o aeroporto com a maior queda percentual: nada menos que 20,6%, uma redução de mais de 682 mil passageiros. Considerado o aeroporto pior avaliado na última pesquisa da ANAC, o aeroporto de Salvador também viu o fluxo de passageiros cair significativamente, nada menos que 16,6%.


Mas até os aeroportos concedidos para a iniciativa privada viram o tráfego despencar. Guarulhos, por exemplo, encolheu 6,2% enquanto Viracopos, também em São Paulo, viu 10,2% a menos de passageiros em suas dependências. No entanto, o aeroporto concedido que mais sentiu os efeitos da crise foi Confins, administrado pela BH Airport. Se em 2015, passaram por ele 11,1 milhões de pessoas no ano passado esse número caiu para 9,6 milhões, redução de 14,3%.

Os dados poderiam ser piores para os aeroportos administrados pela iniciativa privada não fosse os Jogos Olímpicos terem amenizado a queda do Galeão. O segundo maior aeroporto internacional do país obteve um crescimento de 5% no fluxo de passageiros que foram ou chegaram do exterior. Ainda assim, caiu 3,9% na soma de voos nacionais e internacionais.

Enxugamento de voos internacionais

Um dos sintomas da crise no transporte aéreo no Brasil foram os cancelamentos de voos diretos para o exterior. Companhias como a American Airlines enxugaram suas rotas partindo de várias cidades do país. Com isso, o tráfego internacional quase desapareceu em alguns aeroportos como Curitiba. A aeroporto Afonso Pena havia movimentado 130 mil passageiros em voos internacionais, número que caiu para apenas 43 mil no ano passado (-67%).

Talvez isso explique o fato de Guarulhos, o maior portão de entrada e saída do Brasil, ter mantido praticamente o mesmo volume de embarques e desembarques internacionais – com a ausência de voos diretos, restou aos passageiros utilizar o terminal paulista. Nada menos que 13 milhões de passageiros internacionais passaram por ele.

Jóias da coroa

O crescimento e a importância de Congonhas não tem passado despercebido pelo governo federal. Juntamente com Santos Dumont, os dois aeroportos centrais possuem uma relevância muito grande para a Infraero, cuja receita quase desapareceu após as concessões. Bem localizados, mas com uma infraestrutura modesta, os dois deverão ganhar um banho de loja nos próximos anos e não será surpresa se os números crescerem ainda mais, a despeito das limitações de operação. Durma-se com um barulho desses, literalmente.

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Sobre Alexandre Marques

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