Welter Mesquita Vaz. Tecnologia do Blogger.

Asa voadora ia ser o avião comercial do futuro na década de 50


Foi há muito tempo, na década de 1950, quando o transporte aéreo ainda não tinha atingido o ponto de saturação atual. Naquela época a maioria dos especialistas em aviação apostava que o futuro estava com as asas voadoras da Northrop. A B-49 Flying Wing foi um bombardeiro “todo asa” construído no final da década de 1940 pela empresa do falecido Jack Northrop.

Era um projeto avançado e futurista para aquela época. A ideia é que um avião sem fuselagem, em forma de uma imensa asa delta, vence melhor a resistência do ar. A aviação ia sair da era dos tubos com asas e passar para um futuro de aeronaves enormes e espaçosas. Enquanto a Força Aérea Americana testava o novo avião “todo asa” a empresa sonhava com uma versão comercial que poderia levar 80 passageiros com um conforto digno de um navio transatlântico.

No YouTube é possível assistir a um filme de cinco minutos sobre este “avião do futuro”. A cabine de passageiros ficava dentro da asa, sem as restrições de uma fuselagem tubular. Em pleno voo as pessoas poderiam passear a vontade pela cabine e admirar a paisagem através de enormes janelas panorâmicas. Uma aeromoça (era assim que as comissárias de bordo eram chamadas naqueles tempos) loira serve bebidas e sanduíches colocados em cima de bandejas magnéticas. E as elegantes passageiras, todas de saia justa longa, como era moda naquele tempo, e chapéu, reúnem-se no bar. A moda das mulheres muda mais depressa do que o desenho dos aviões.

O problema com esse sonho retrô foi a instabilidade inerente ao avião todo asa. Sem os enormes lemes dos aviões convencionais, o avião todo asa não conseguia voar por muito tempo em linha reta. Sua trajetória oscilava de um lado para o outro, o que condenou o projeto do bombardeiro da Força Aérea. Afinal, para lançar bombas com precisão um bombardeiro precisa ser estável.

O fabricante tentou resolver o problema equipando a asa voadora com um piloto automático Sperry Rand que era um dos computadores analógicos mais avançados da época. O piloto de provas Glenn Edwards, decolou com o B-49 da base aérea de Muroc para um voo de teste e tudo correu bem até que ele tentou pousar com a enorme asa, de 52 metros de largura. Uma turbulência súbita arrancou as pontas das asas e a aeronave prateada se espatifou, matando todos a bordo. E a Força Aérea cancelou o projeto. E se o avião era instável para uso militar, para uso civil então nem se fala.

Mas não foi o fim do sonho do avião todo asa. Trinta anos depois a Força Aérea americana contratou a empresa Northrop para criar um novo bombardeiro invisível ao radar. E a empresa ressuscitou o projeto da asa voadora. Com os modernos computadores eletrônicos era possível guiar com precisão a enorme asa. E os novos materiais compostos são muito mais resistentes que o alumínio. O resultado foi o B-2 Spirit, a atual bala de prata da força aérea do Tio Sam. Amplamente testado o Spirit não apresentou nenhum dos problemas de estabilidade de seu antepassado B-49.

Entusiasmada com o sucesso do B-2 a agência espacial americana, Nasa, testou um modelo reduzido de uma asa voadora comercial. O problema é que a aviação é hoje um meio de transporte de massa. E uma asa voadora capaz de carregar 300 ou 400 pessoas ficaria muito larga para os aeroportos modernos. Outro problema é que esse tipo de avião é subsônico e não voa a mais de 900 quilômetros horários. E os engenheiros aeronáuticos modernos querem meios mais rápidos de transportar pessoas através do mundo. A Nasa vem fazendo pesquisas com aviões supersônicos que seriam os sucessores do Concorde.

E nesse ponto a asa voadora já perdeu o bonde da história.


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Sobre Alexandre Marques

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