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Problema do lixo espacial está piorando, dizem cientistas


Nas últimas semanas os cientistas dispararam o alarme à respeito dos problemas enfrentados nas missões espaciais relacionados à sucata orbital – os detritos acumulados na exploração do cosmos nas últimas seis décadas.

Em menos de 25 anos, o número de fragmentos em órbita grandes o suficiente para destruir uma nave espacial mais do que dobrou, constatou-se em uma conferência na Alemanha. E a contagem estimada de objetos minúsculos – que podem danificar ou degradar as naves espaciais em caso de colisão, e são difíceis de rastrear – é agora de cerca de 150 milhões.

“Estamos muito preocupados”, disse Rolf Densing, diretor de operações da Agência Espacial Europeia (ESA), pedindo por um esforço mundial para limpar a bagunça. “Este problema só pode ser resolvido globalmente.”

Viajando em até 28.000 quilômetros por a hora, mesmo um objeto minúsculo impacta com bastante energia para danificar a superfície de um satélite ou de uma nave espacial equipada.

Em 1993, o monitoramento pelo radar terrestre mostrou que havia cerca de 8 mil objetos feitos pelo homem em órbita com mais de 10 centímetros de largura, tamanho suficiente para infligir danos catastróficos, disse Holger Krag, responsável pelos restos espaciais da ESA.

“Hoje, encontramos no espaço cerca de 5.000 objetos com tamanhos superiores a 1 metro, cerca de 20.000 objetos com tamanhos superiores a 10 centímetros e 750.000 ‘projéteis voadores’ de cerca de um centímetro”, disse ele. “Para objetos maiores que 1 milímetro, nossas estimativas são de cerca de 150 milhões”.

Os riscos de colisão são estatisticamente remotos, mas aumentam à medida que o número de objetos aumenta e mais satélites são implantados.

“O crescimento do número de fragmentos se desviou da tendência linear do passado e entrou na tendência exponencial mais temida”, advertiu Krag.

A conferência em Darmstadt, cuja abertura foi transmitida on-line, é o maior encontro de todos os tempos dedicado a detritos espaciais. Especialistas passarão quatro dias discutindo detritos e medidas para mitigar o lixo espacial, como tirar da órbita os satélites após superarem sua vida útil.

Campos de detritos

Krag apontou dois eventos que agravaram o problema, criando campos de detritos que podem gerar mais lixo, como peças que podem colidir entre si:

O primeiro foi em janeiro de 2007, quando a China testou uma arma anti-satélite em um velho satélite meteorológico Fengyun. O outro foi em fevereiro de 2009, quando um satélite de telecomunicações de irídio e um satélite militar russo, o Kosmos-2251, colidiram acidentalmente.

Com aviso prévio, os satélites podem mudar de posição para evitar uma colisão, mas isso usa combustível e potencialmente encurta a vida operacional.

A ESA recebe um alerta de alto risco de colisão todas as semanas envolvendo seus 10 satélites em órbita terrestre, disse Krag. Cada um tem que recorrer a “uma ou duas” manobras por ano para evitar tais colisões.

Em uma mensagem da Estação Espacial Internacional, o astronauta francês Thomas Pesquet disse que a estação estava blindada para objetos de até 1 cm de diâmetro.

A ISS muitas vezes tem que fazer manobras para evitar detritos, mas precisa de 24 horas de aviso prévio para fazer isso, usando propulsores a bordo, disse ele.

Se não recebermos o aviso à tempo, “nossa equipe terá de fechar todas as escotilhas e entrar na Soyuz, para que possamos abandonar a ISS no caso de uma colisão”, disse ele. “Isso aconteceu quatro vezes na história do programa ISS.”

Ferro velho do espaço

Especialistas apontam para duas localidades – antes imaculadas – que se tornaram preocupantemente poluídas desde que a era espacial surgiu em 1957.

Uma delas é a órbita terrestre baixa – geralmente definida como inferior a 2.000 quilômetros de distância da Terra – que é usada pelos satélites satnav, a ISS, as missões tripuladas da China e o telescópio Hubble, entre outros.

A outra é a órbita geoestacionária, uma zona cobiçada a 35.000 km de distância usada por satélites de comunicações, meteorológicos e de vigilância que devem manter uma posição fixa em relação à Terra.

O lixo varia de tanques de combustível e satélites de energia nuclear da era soviética, à porcas, parafusos e ferramentas derrubados por astronautas ao caminharem no espaço.

Os itens ironicamente incluem um escudo de detritos de 1,5 metro que flutuava quando estava sendo instalado na ISS em 30 de março. Perdido em órbita baixa, o escudo acabará sendo puxado pela atmosfera da Terra e queimado.

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Sobre Alexandre Marques

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